erça-feira, 31 de Agosto de 2010
DITADURA CUBANA
Mea culpa
Fidel Castro assume que perseguiu homossexuais por cinco décadas durante seu regime de ferro em Cuba
por Redação MundoMais
CUBA – O ex-presidente cubano Fidel Castro, 84, finalmente assumiu que – por mais de 50 anos – perseguiu os homossexuais cubanos, acusando-os de “contrarrevolucionários”. A declaração aconteceu na entrevista concedida ao jornal mexicano La Jornada, publicada nesta terça-feira, 31.
Fidel foi responsável por prender dezenas de homossexuais em campos de trabalhos, chamados de Unidades Militares de Ajuda à Produção (Umap), por eles não corresponderem ao “modelo revolucionário” [modelo heterossexual], entre os anos 60 e 70.
Apesar da perseguição, o líder da Revolução Cubana disse não ter preconceito com os LGBT. “Foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós. Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso, porque, pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito”, disse.
Segundo Fidel, a perseguição homofóbica era uma das formas de controle para não se cair nas mãos da Agência Central de Inteligência (CIA) americana. “Não era uma tarefa fácil escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às vezes entre eles mesmos. Mas, no final das contas, de qualquer maneira, se for preciso assumir a responsabilidade, eu assumo. Não vou jogar a culpa em ninguém", disse ao se referir ao Partido Comunista Cubano (PCC).
Tempo perdido – Depois que passou o comando de Cuba ao irmão Raul Castro em 2006, por motivos de saúde, a filha do atual presidente Mariela Castro assumiu, em 2008, a chefia do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex). Mariela é uma das grandes defensoras dos homossexuais em Cuba e participa ativamente das campanhas pró-homossexuais no país. Inclusive, já criticou a postura homofóbica dos membros do PCC.
Lenta mudança – O regime de controle da vida social em Cuba não diminuiu com as mudanças de poder entre Fidel Castro com o seu irmão Raul Castro como se imaginava. Tanto é que em setembro do ano passado, a polícia da Segurança de Estado levou o Mr. Gay Havana Rafael Chávez González para interrogatório sobre o concurso Mr. Gay, que seria uma invenção do capitalismo. Segundo informações, a polícia gostaria que ele explicasse esse ato contrarrevolucionário para aquele país, uma vez que ele era formado em medicina pela “Revolução”.

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